Mensagem de Schoenstatt - nº 97
FAMÍLIAS

"Na Escola de Maria, missionários do Tabor!

Prezada Família,

a partir do Santuário de nossa Mãe, Rainha e Vencedora Três Vezes Admirável, esta Mensagem de Schoenstatt chega ao nosso lar. Ela expressa o interesse e o cuidado de uma Mãe que se preocupa e quer ajudar nossa família com conselhos, como é próprio de uma mãe; quer apresentar-nos propostas, indicando para nós um caminho novo para trilhar como família. Um caminho que conduz à felicidade, à fidelidade.

Sabemos e experimentamos que “hoje, a família passa por um inverno religioso. Isso enfraquece a personalidade dos filhos, e desorienta os pais, porque sem religião estarão mais expostos ao vazio da vida, à solidão e ao consumismo” (D. Orlando Brandes, Presidente da Comissão Episcopal para a Vida e a Família – CNBB).

Para que em nossa família floresça uma primavera do amor a Deus e nós possamos vencer o inverno com seus desafios e dificuldades é que a Mãe Peregrina de Schoenstatt visita o nosso lar. Ela nos traz o conforto, a alegria, a fortaleza, um novo sentido para a vida, o aumento da fé. É esse o grande objetivo desta visita: a transformação de nossa Família. Por isso, permanece aberto para os ensinamentos de Maria; entra e permanece na sua Escola, pois ela quer nos ajudar a fim de que nossa família se torne um Santuário da vida, “lugar e escola de comunhão, pequena Igreja doméstica, e primeiro local para a iniciação cristã das crianças” (Documento de Aparecida) e por isso, esperança para uma nova sociedade. Tudo isto é possível; a única condição é abrir o coração, decidir-se e começar a realizar o que ela nos orienta.

E qual o caminho que ela nos indica para que essa florescência aconteça e o inverno não tome conta de nossa família? Ele tem uma indicação: “Escolhe, pois, a vida” (Dt. 30,19). Escolhe viver a vida plenamente. O que isto significa? Escolher a Deus e dizer um não para o que não pertence a Ele. O inverno, como dissemos, vem com a pouca fé ou até com sua negação e o distancionamento da vida religiosa.

O Papa Bento XVI na Austrália, no dia 18 de julho, fez uma reflexão sobre escolher a vida, que o próprio Cristo quer para nós e é este o caminho. Ele dizia aos jovens: “Os falsos “deuses” – independentemente do nome, da imagem ou da forma que lhes atribuamos – estão quase sempre ligados à adoração de três realidades: os bens materiais, o amor possessivo, o poder”.

Estes “deuses”, devagar, silenciosamente e de maneira camuflada penetram em nosso lar, em nosso coração e de nossos filhos. Por isso, devemos estar atentos. Então o “inverno religioso” toma conta de todo o ambiente familiar. É claro que, como diz o Papa, os bens materiais em si mesmos são bons e precisamos deles para sobreviver. Precisamos de dinheiro para o vestuário, para cuidar da saúde. “Para viver, temos necessidade de alimento. Mas, se formos glutões, se recusarmos partilhar o que temos com o faminto e o pobre, então transformamos estes bens numa falsa divindade. Quantas vozes se levantam na nossa sociedade materialista dizendo-nos que a felicidade se encontra dotando-se da maior quantidade possível de bens e de objetos de luxo! Mas isto significa transformar os bens em falsas divindades. Em vez de nos trazer a vida, levam-nos à morte” (Bento XVI).

Podemos nos perguntar: que lugar ocupa os bens materiais em minha vida? Em nossa família? Somos gratos a Deus que nos concede trabalho, saúde? Sabemos dividir o que temos, começando entre os membros da família? Temos um olhar cuidadoso para os mais necessitados que estão mais próximos de nós? E se nos faltam estes bens, como reagimos? Lutamos para conseguirmos algo? A crise que a falta de trabalho pode trazer, abala, porém a união familiar que deve ser a força nestas horas. Se o diálogo estiver presente, podemos lutar juntos, pais e filhos, e a confiança em Deus ajudará para que os fundamentos de nossa família permaneçam firmes. É muito comum entre as famílias acontecer que, numa situação econômica difícil, comecem a se desentender e vem então uma crise conjugal que pode até acabar em separação. Mas, isto porque na verdade o “inverno religioso” toma conta da família, isto é, falta Deus, falta a decisão pela Vida – Cristo, que nos conforta nas horas difíceis, nos reanima e nos impulsiona.

Valorizemos a visita da Mãe Peregrina em nosso lar! Sabemos o dia em que ela visita nossa casa? Contemplemos a sua vida. Deus foi o centro de seus interesses. Ela o amou e se entregou a Ele. Reflitamos em suas palavras: “Eis aqui a Serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a vossa palavra (Lc.1,38.)” Por isso, ela pode nos ajudar, a fim de que saibamos nos decidir para Deus, acolher sua vontade que se manifesta nos mandamentos e por uma sábia escolha dos bens materiais.

O Papa também cita a adoração de um outro “deus”: o amor possessivo. Ele disse: “O amor autêntico é certamente uma coisa boa. Sem ele, a vida dificilmente seria digna de ser vivida. O amor dá satisfação à nossa carência mais profunda; e, quando amamos, tornamo-nos mais nós mesmos, tornamo-nos humanos de forma mais plena. E, todavia como se pode facilmente transformar o amor numa falsa divindade!”

Sim, hoje percebemos que muitas pessoas pensam que amam, mas, na realidade procuram possuir ou manipular o outro. Se alguém tem interesse em alguma coisa que o outro possui ou quer conseguir dele, procura aproximar-se, até fazer-se “amigo”, porém, trata-se de puro interesse egoísta.

As pessoas são tratadas também como objetos para satisfazer as próprias necessidades. É um caminho que leva à morte, pois, o amor quer o bem do outro, respeita o outro como a si mesmo, diz um não ao uso permissivo da sexualidade sem levar em consideração os valores morais. Isto, diz o Papa, é adorar uma falsa divindade.

O amor é a alma da vida da família, isto é, sem ele nada tem sentido. É no calor do amor entre os cônjuges e destes com os filhos, que cada membro da família faz a experiência da presença e do amor de Deus na própria vida. O amor dos pais é o melhor meio para que o inverno religioso não penetre no seu lar. Quantas vezes sofremos porque os filhos, depois de certa idade, não rezam, não nos acompanham mais à santa missa...

Poderíamos nos perguntar: os filhos experimentam em nós pais, um amor belo, um amor respeitoso, cheio de carinho e ternura? É este amor que confere aos nossos filhos a experiência de que Deus é Amor, nos ama e espera o nosso amor. Por isso, é tão importante o relacionamento do casal. Se faltam no amor conjugal o afeto, a admiração um pelo outro, se o inverno nos atingiu, não é o fim, pois sempre é tempo para recomeçar. É preciso descobrir os lados positivos do outro. Cada um de nós tem manias, fraquezas. Mas, também virtudes, valores. Por que muitos dizem que o amor terminou?

“Os pilares da vida e espiritualidade familiar são o diálogo, o afeto, o perdão e a oração, que são a expressão do amor conjugal e familiar”. (Diretrizes gerais da ação evangelizadora da Igreja no Brasil 2008-2010, n.130). Muitos casais deixam cair estes pilares, deixaram de conquistar o cônjuge, colocam apenas exigências, reclamações e se centraliza somente no eu e não no tu. Não dialogam, não rezam não se perdoam... Esquecemos ou não nos importamos de agradar o tu.

O que podemos fazer para reencantar o amor? Para causar alegria ao nosso cônjuge? Existe uma arte para conquistar o outro e isto cada um sabe bem, pois soubemos conquistar nosso cônjuge. Traga nova vida para o seu lar, reencantando o amor. Temos em Maria um exemplo. Assim como ela agiu no seu lar de Nazaré, acolhendo Jesus e José, podemos fazê-lo em nossa família. Ela colocou calor, o amor que tudo transforma. Pensemos em suas palavras: “Filho, que nos fizeste?! Eis que teu pai e eu andávamos à tua procura, cheios de aflição” (Lc2,48) Ela não se colocava no centro, unia a família no amor.

E nosso Papa Bento XVI continua apresentando a adoração de outro “deus”: o poder. Ele diz: “O poder que Deus nos deu para plasmar o mundo que nos rodeia é certamente uma coisa boa. Utilizado de modo apropriado e responsável, permite-nos transformar a vida das pessoas.” O Papa nos alerta dizendo como é forte a tentação de querer dominar os outros para os próprios interesses egoístas. “Isto é transformar o poder numa falsa divindade. Em vez de nos trazer a vida, leva-nos à morte”.

A visita da Mãe Peregrina quer nos ajudar a adoração do verdadeiro e único Deus e assim escolher a Vida. Quantas pessoas dão seu testemunho, relatando a transformação de sua família com a visita da Mãe de Deus. Não é algo “milagroso”, mas acolher Maria no lar e dar-lhe um lugar de honra, significa decidir-se por uma vida nova, uma vida diferente. É colaborar com a graça. Um senhor que aceitou o convite para acolher Maria, seus ensinamentos, testemunhou: “sou agora um homem diferente”. O que significa ser diferente? Mais amável, mais serviçal, mais doado à família. Devemos contemplar Maria como num espelho e nos perguntar: escolho a Vida? Existe em mim o esforço para colocar os bens materiais no lugar certo, de tornar meu amor mais desprendido e utilizar o poder que Deus me deu como pai, mãe, filho para o bem da minha família?

Na Escola de Maria, escolhe pois, a Vida. Ela é a Mestra e Mãe que pode nos ajudar a transformar o “inverno” numa florescente primavera.