Movimentos, um dom singular para a Igreja

 
   

Segue um trecho das palavras do Papa Bento XVI, no dia 30 de outubro de 2008, aos representantes da Fraternidade Católica Internacional de Comunidades e Associações Carismáticas de Aliança. A parte transcrita serve de orientação também a todos os outros movimentos. Assim diz O Santo Padre, Papa Bento XVI:

Eminência, venerados irmãos no episcopado e no sacerdócio, queridos irmãos e irmãs: Com muito prazer dou-vos minhas mais cordiais boas-vindas... Saúdo-vos, queridos irmãos no episcopado, assim como a todos os que trabalham ao serviço dos movimentos eclesiais e das novas comunidades...

Como já afirmei em outras circunstâncias, os movimentos eclesiais e as novas comunidades, florescidos depois do Concílio Vaticano II, constituem um dom singular do Senhor e um recurso precioso para a vida da Igreja. Devem ser acolhidos com confiança e valorizados em suas diferentes contribuições, que devem ser postas ao serviço da utilidade comum de maneira ordenada e fecunda.

É de grande interesse atual vossa reflexão sobre o caráter central de Cristo na pregação, assim como sobre a importância dos "carismas na vida da Igreja particular"...

O que vemos no Novo Testamento sobre os carismas, que surgiram como sinais visíveis da vinda do Espírito Santo, não é um acontecimento do passado, mas uma realidade sempre viva: o próprio Espírito, alma da Igreja, atua nela em toda época, e suas intervenções, misteriosas e eficazes, se manifestam em nosso tempo de maneira providencial. Os movimentos e novas comunidades são como irrupções do Espírito Santo na Igreja e na sociedade contemporânea...

O Concílio Vaticano II, em vários documentos, faz referência aos movimentos e às novas comunidades eclesiais, especialmente na constituição dogmática Lumen gentium, onde diz: "Os carismas, tanto os extraordinários como os mais simples e comuns, pelo fato de que são muito conformes e úteis para as necessidades da Igreja, devem ser recebidos com agradecimento e consolo" (n. 12). Depois, também o Catecismo da Igreja Católica sublinhou o valor e a importância dos novos carismas na Igreja, cuja autenticidade é garantida pela disponibilidade a submeter-se ao discernimento da autoridade eclesiástica (cf. n. 2003). Precisamente pelo fato de que somos testemunhas de um promissor florescimento de movimentos e comunidades eclesiais, é importante que os pastores exerçam com eles um discernimento prudente, sábio e benevolente.

Desejo de coração que se intensifique o diálogo entre pastores e movimentos eclesiais em todos os níveis: nas paróquias, nas dioceses e com a Sé Apostólica. Sei que se estão estudando formas oportunas para dar reconhecimento pontifício aos novos movimentos e comunidades eclesiais e muitos já o receberam. Os pastores, especialmente os bispos, no dever de discernimento que lhes compete, não podem desconhecer este dado – o reconhecimento ou a ereção de associações internacionais por parte da Santa Sé para a Igreja universal (cf. Congregação para os bispos, Diretório para o Ministério Pastoral dos Bispos Apostolorum Successores, Capítulo 4, 8).

...Queridos irmãos e irmãs: a salvaguarda da fidelidade à identidade católica e do caráter eclesial por parte de cada uma de vossas comunidades vos permitirá oferecer por toda parte um testemunho vivo e operante do profundo mistério da Igreja. E isso promoverá a capacidade das diferentes comunidades para atrair novos membros...

[Tradução: Élison Santos. Revisão: Aline Banchieri. © Libreria Editrice Vaticana]