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Dia 5 de outubro,
o Papa Bento XVI abriu o Sínodo dos Bispos, em Roma, com o objetivo
de entrar no mistério da Palavra de Deus. Vamos acompanhar o
Sínodo com nossas preces, pois cada um de nós é
chamado a colaborar! Dom Odilo, participante do Sínodo, nos fala
sobre ele:
É mais uma assembléia geral ordinária do Sínodo
dos Bispos, com a presença de representantes de todas as Conferências
Episcopais do mundo, além de convidados e peritos. A assembléia
do Sínodo, que acontece normalmente a cada 3 ou 4 anos, terá
a duração de 3 semanas; o encerramento está marcado
para o dia 26 de outubro. Depois da Constituição Dogmática
Dei Verbum (1965), do Concílio Vaticano II, é a primeira
vez que a Igreja retoma num Sínodo a temática da Palavra
de Deus. A própria Dei Verbum será continuamente lembrada
no Sínodo.
O tema desta assembléia - “A Palavra de
Deus na vida e na missão da Igreja” – é da
maior importância, uma vez que a Palavra convoca e reúne
a Igreja, orienta e alimenta sua fé e a vida dos cristãos;
a própria Igreja existe para fazer ressoar a Palavra salvadora
no mundo e para testemunhar na vida os frutos gerados pelo anúncio
e a acolhida da Palavra de Deus na história dos homens.
O coração humano deseja o infinito, mas
não consegue dar a si mesmo uma resposta adequada aos seus anseios;
palavras humanas têm as dimensões e a capacidade daquilo
que é humano e limitado. Mas a Palavra de Deus revela-nos o mistério
de Deus e de seu desígnio sobre nossa existência e sobre
o mundo; ela expressa o diálogo de amor de Deus que vem ao nosso
encontro e rompe nossos limites; a Palavra não apenas nos faz
conhecer Deus de maneira intelectual, mas nos convida a entrarmos em
comunhão com Ele. Do coração de Deus vem a Palavra
santa e se dirige direto ao coração dos seres humanos,
chamando-os a viverem como seus queridos “filhos adotivos”
(Ef 1,4-5).
A Palavra eterna, também Palavra criadora (cf
Jo 1,3), assumiu nossa condição humana, “tornou-se
carne e habitou no meio de nós” (cf Jo 1,14). Para nós,
seria difícil conhecer e compreender Deus na sua “linguagem”
divina; por isso, veio ao nosso encontro, tornou-se próximo de
nós, exprimiu-se com palavras, gestos e atitudes humanas, para
que tivéssemos acesso a Ele. Pela fé sobrenatural na Palavra
de Deus, o homem deixa de ser prisioneiro dos seus horizontes humanos
e pode perscrutar as insondáveis riquezas de Deus.
O Sínodo parte dessa preocupação: que a
riqueza inestimável da Palavra de Deus seja reconhecida na fé
e valorizada sempre mais, para ajudar também o homem
de hoje a construir sobre o fundamento sólido dessa Palavra.
Entre seus objetivos, o Sínodo pretende promover uma ampla reflexão
sobre o próprio mistério da Palavra revelada a nós:
onde ela se encontra? Como compreendê-la adequadamente? Como se
relaciona a Sagrada Escritura com a Palavra de Deus? Como promover um
interesse sempre maior dos cristãos e de todas as pessoas em
relação à Palavra de Deus? Qual é o lugar
dela na missão da Igreja?
O Sínodo será, antes de tudo, um grande momento na vida
da Igreja: bispos e outros participantes vindos do mundo inteiro falarão
sobre como a Palavra está sendo anunciada e acolhida, e como
ela vai produzindo frutos entre os povos e na vida das pessoas; falarão
certamente de dificuldades encontradas na pregação da
Palavra de Deus nas diversas situações concretas da vida
e da cultura dos povos. Será mais ou menos como aconteceu quando
Paulo e Barnabé “subiram a Jerusalém” para
narrar aos demais apóstolos como a Palavra de Deus estava sendo
acolhida (cf At 13,12).
Os “padres sinodais” falarão, certamente, também
da crescente renovação bíblica da liturgia, catequese
e também dos estudos teológicos, bem como da difusão
da leitura orante da Bíblia (lectio divina), método muito
aconselhado para ler e “ouvir” a Palavra de Deus, e que
tem origem muito antiga na Igreja, já nos primeiros séculos,
com os Santos Padres; mas relatarão também sobre a crescente
difusão da própria bíblia, com traduções
e edições que a tornam acessível ao povo. São
motivos para se alegrar e dar graças a Deus.
Mas é bem verdade que a Bíblia ainda é
muito desconhecida, ou lida e interpretada de maneira inadequada,
fora do seu verdadeiro contexto, que é a fé da comunidade
eclesial; isso é uma pena e S. Jerônimo já dizia
que desconhecer a Escritura é desconhecer a Cristo. Por outro
lado, problemas novos são postos à compreensão
e acolhida da Escritura pela própria ciência ou pela cultura
tecnológica e racionalista, e que requerem respostas adequadas.
Por isso, os desafios pastorais da Igreja também são muitos
para que a Palavra do Senhor continue a ser anunciada e acolhida com
fé, gerando vida abundante no mundo.
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