Uma
caminhada começa com o primeiro passo, um livro com a primeira
letra... A história
de Schoenstatt também tem um “primeiro” e ele está no
coração de Deus. Mas, para a sua concretização,
um dos primeiros passos é o sim do Pe. José Kentenich para
a sua nomeação como diretor espiritual do seminário,
em Schoenstatt, embora isso fosse contrário aos seus desejos
e planos pessoais.
Cem anos da pré-fundação de Schoenstatt No próximo ano celebra-se 100 anos desse fato histórico. Ao assumir essa tarefa, em 27 de outubro de 1912, Pe. Kentenich transborda a riqueza espiritual de seu coração numa conferência, hoje conhecida como “Documento de pré-fundação de Schoenstatt” (DPF). Profundamente compreensivo pela possível desilusão dos alunos por sua nomeação, carinhosamente coloca-se ao lado deles e ao mesmo tempo os ajuda a ver esse fato na luz da Divina Providência: “Há de ser vontade de Deus!” (DPF, 4) Essa constatação o impulsiona a dar tudo de si para a nova tarefa: “Estou inteiramente à vossa disposição com tudo o que sou e tenho... sobretudo, vos pertence o meu coração.”(Idem) Então, apresenta-lhes o objetivo que pretende alcançar, “Sob a proteção de Maria, queremos aprender a educar-nos, para sermos sólidos e livres caracteres sacerdotais.” (Idem, 5) Em seguida, o Pai descreve em pormenores o que isso significa. Auto educação, um imperativo do tempo A atualidade de suas palavras revela que elas provêm do Espírito Santo. A auto educação permanece um imperativo do tempo, pois “o grau de nosso progresso nas ciências tem de ser acompanhado pelo aprofundamento interior e crescimento espiritual” (Idem 15). O avanço das técnicas não acompanhado pela maturidade na fé causa desajustes na pessoa e na sociedade. O Pai convida a não abandonar o progresso da técnica, mas, é preciso que a vida religiosa pessoal, o vínculo com Deus, as pessoas e o trabalho atuem em equilíbrio: “Quanto mais progresso exterior, tanto mais aprofundamento interno.” (Idem, 13) Quanto se pode escrever e refletir sobre essas palavras. No decorrer dos anos posteriores, Pe. Kentenich as desenvolve e amadurece. A Aliança de Amor, em 18 de outubro de 1914 é um caminho por excelência para vencer esse perigo de separação entre ciência e fé, entre fé e vida. Na Carta aos Bispos, no 31 de maio de 1949, ele aplica essa verdade na vida da Igreja e propõe respostas para o episcopado alemão. É para esse momento que Deus nos envia No encerramento da Jornada Mundial da Juventude, em Madri, o Papa Bento XVI confirma a atualidades dessas palavras do Pe. Kentenich, quando diz aos jovens, em português: “Sentireis em contra-corrente no meio de uma sociedade onde impera a cultura relativista que renuncia a busca e a posse da verdade. Mas, foi para este momento da história, cheio de grandes desafios e oportunidades, que o Senhor vos mandou: para que, graças à vossa fé, continue a ressoar a Boa Nova de Cristo por toda a terra.” (JMJ, 21.8.2011) Justamente para esse momento, a Mãe de Deus nos chama para sermos seus instrumentos e edificar, sob sua proteção, uma cultura da aliança. Essa certeza nos dá segurança e confere graças de entusiasmo pela missão. Segundo o beato João Paulo II, as datas jubilares estão vinculadas a graças especiais, correspondentes a celebração jubilar (Tertio Millennio Adveniente). Nas graças jubilares da pré-fundação de Schoenstatt, na Aliança de Amor, sob a proteção de Maria, queremos nos educar para que a fé e a vida caminhem juntos e nosso testemunho de vida seja o espelho do que afirmamos crer. Publicado na Revista Nacional do Movimento Apostólico de Schoenstatt, Tabor em Páginas, nº 75 |