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Família, primeira escola
de viver e amar orgânico |
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Pe. Kentenich sentiu-se chamado a lutar, durante toda sua
vida, contra o que ele denominou mentalidade mecanicista ou separatista,
e a fomentar a mentalidade orgânica, ou, usando outra expressão sua, o
modo de pensar, amar e viver orgânico.
Com isto expressava que, em nosso tempo, é imposto uma
mentalidade que tende a analisar e separar o que na realidade está
inter-relacionado. Não logra ver as partes no todo.
Por isso, separa e analisa de modo mecanicista, sem ousar
conjugar, por exemplo, o conceito de indivíduo e comunidade, de
liberdade e obediência, de paternidade e fraternidade, de masculinidade
e feminilidade, sem visualizar a relação viva e fecunda de Deus e homem,
de Cristo e Maria, de natureza e graça, etc.
Cria-se, assim, antagonismos infecundos onde deveria
dar-se uma rica polaridade. Unifica aplanando, onde deveria dar-se a
diversidade na mútua complementaridade. Se afasta onde deveria haver
mutua complementação.
Esta maneira de pensar ou de ver as realidades deste
mundo e do além expressa, e ao mesmo tempo fomenta, um determinado modo
de amar e de viver mecanicista.
Assim, por exemplo, o mecanicismo não é capaz de unir
harmonicamente o amor instintivo-sexual com o amor afetivo-sensível, o
amor espiritual com o amor sobrenatural. Por isso, também divide e
separa em forma mecanicista amor e fecundidade.
Pe. Kentenich anuncia, o “amor orgânico” e a instauração
do “organismo natural e sobrenatural de vinculações”. Ele faz um chamado
para que surja outro tipo de homem, que encarne uma mentalidade orgânica
e um modo de amar orgânico. Se requer hoje, mais que nunca, pessoas que
desenvolvam em plenitude o amor no plano humano (em cada uma de suas
facetas: corporal-sensivel, afetiva, espiritual sobrenatural) e que ao
mesmo tempo desenvolvam a plenitude do amor a Deus, do vínculo amoroso e
pessoal ao Deus Trino. Pessoas que vejam no amor ao homem e no amor ás
coisas o amor a Deus; que amem ao Criador através das criaturas.
O pensar e amar orgânicos se expressam num modo de
viver orgânico.
O mecanicismo de vida que hoje reina exige um novo modo
de viver e de trabalhar. Isto é um desafio para se gerar uma nova
cultura mais humana e mais divina, que supere a “esquizofrenia” do nosso
tempo, esta “sociedade feita pedaços” ou cultura da morte, que hoje se
manifesta em tantas formas. O mundo requer uma profunda mudança em
profundidade. Não basta mudanças parciais, como reparar os buracos no
teto do edifício, é preciso ir aos fundamentos, a gerar um novo mundo
através do cultivo ou instauração de uma nova mentalidade, de um novo
modo de pensar, amar e de viver.
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