Geralmente consideramos os limites como obstáculos no caminho da vida. O segredo consiste em utilizar os limites pessoais como caminho e ajuda rumo ao “espírito de filhos“. Nossas dificuldades e problemas devem ser uma porta de entrada para a graça, uma escada para o coração de Deus. Podemos distinguir limites de tipo: Físico: ser gordo ou magro, feio ou careca; defeitos físicos, doenças, problemas nervosos... Psíquico-espiritual: incapacidades intelectuais, não saber falar, depressões, transtornos psíquicos, fracassos na profissão ou na educação dos filhos, etc. Social: minha família (pobre ou rica), meus problemas econômicos, minha profissão, meu povo, minha raça... Ascético-moral: debilidades, vícios, faltas de determinação, mesquinhez, antipatias, egoísmo, falta de caráter e de temperamento, fracasso no cumprimento dos propósitos... até culpas e pecados. Padre Kentenich, fundador do Movimento Apostólico de Schoenstatt, nos dá quatro pautas para nosso comportamento ao respeito. 1. Não se admirar. Devemos admirar-nos que não seja ainda pior. Aceitando o pecado original que feriu nossa alma, principalmente sua harmonia, não nos deve admirar que as coisas sejam assim. O pecado original é, além disso, fonte de muitos pecados pessoais que influenciaram em nós (herança, ambiente, educadores...). A isso se agregam nossos próprios pecados que aprofundaram o hábito do pecado. 2. Não se confundir (não inquietar-se, não sufocar-se). Espontaneamente, ao nos sentir tão miseráveis, poderemos chegar a ficar nervosos, a nos inquietar, a ser tomados pelo pânico. Ao homem comum se torna insuportável aguentar as experiências de pobreza moral. Gostaria de ser diferente. Então acontece a fuga de sua própria natureza, a nega, muda
de ideais... Procede como alguém que é jogado a água
sem saber nadar: dá golpes irracionais e se afoga ao final por
haver perdido a serenidade.
3. Não se desanimar. O desânimo seria um passo mais. Este desalento que se expressa em tristeza e em depressão, é um inimigo muito perigoso. Explica o Padre Kentenich que “é muito mais fatal que o pecado grave em si”. Porque predispõe ir mais fundo ainda, para cometer outros pecados novos. A pessoa se entrega, já não espera mais nada de si mesmo. Agrega: “Em águas turvas passeia o maligno”. Por isso, é tão importante criar em nós e ao nosso redor um clima de alegria. A educação filial é educação para a alegria: “Nada deve perturbar nossa alegria interior!”. 4. Não se acomodar. Não se habituar, não se acostumar à miséria e ao pecado. Não perder o sentido da responsabilidade, não se resignar. Devemos lutar contra nossas faltas e defeitos. Pelo menos havemos de despertar o impulso de trabalhar contra, mesmo que nem sempre de resultado. Os santos são santos porque começaram inúmeras vezes de novo. Consideremos até o fim da vida com caídas e misérias. Por isso devemos considerar também até o final com muitas lutas. Alcancaremos um realismo grande que nos dará paciência frente a nós mesmos, que nasce da limitação que experimentamos e que estamos combatendo permanentemente, esperando poder superá-la algum dia. Perguntas para a reflexão 1. Sou consciente de meus limites? 2. Estou acostumado a alguns pecados? 3. O desânimo é uma característica em mim? Se desejar se inscrever, comentar o texto ou dar seu testemunho escreva para: pn.reflexiones@gmail.com |