Saber que Deus nos ama

Pe. Nicolas Schwizer

 

 

Começamos o tempo de Quaresma. Segundo a intenção da Igreja, é um tempo de renovação, de penitência e de conversão.

Para os primeiros cristãos, a proclamação da penitência era uma “Boa Nova”. Deus perdoaria suas faltas, Deus revelaria seu carinho e sua compaixão. Mas para nós, os modernos, trata-se de uma má notícia. Se em uma assembléia cristã se fala de Quaresma, de penitência, de sacrifício, muitos rostos se entristecem. Temem pelo que lhes é mais querido: sua carteira, seus cigarros, sua televisão, sua boa comida…

Qual pode ser a razão desta mudança entre os antigos e os modernos cristãos?

Na Igreja antiga só faziam penitência os que haviam cometido grandes crimes: os penitentes públicos. Mas a Quinta-feira Santa, na missa de sua reconciliação, estes pecadores pareciam tão felizes, tão renovados, tão inocentes que os demais fiéis sentiam inveja deles. Lamentavam-se de não haver experimentado uma penitência tão benfeitora. E no ano seguinte pediam também eles, que se lhes admitira à penitência quaresmal.

E nós, os cristãos de hoje? Nós pensamos demais em nós mesmos, pensamos nessas renúncias, nessa cruz, nesses sacrifícios, nessa confissão quaresmal como coisas que vão nos custar e que nos dão medo. Mas não pensamos em Deus, que nos chama que nos está esperando e que fará que tudo se converta em gozo, se voltarmos para Ele nosso coração.

Muitos cristãos temos uma idéia imperfeita e até falsa de nossa religião. Cremos que a religião consiste no que nós fazemos por Deus, nessas coisas desagradáveis que nos impomos por Deus. Quantas coisas tenho feito eu por Deus! Quantas coisas tenho sacrificado por Ele! Quantas coisas tenho renunciado por amor a Ele!

O autêntico cristão é o que vê, antes de tudo, as coisas que Deus fez por nós, as coisas grandes e maravilhosas que Ele fez na pobreza e pequenez de seus servidores. Com esta atitude um nunca se sente saciado, sempre está desejando crescer e aprofundar mais ainda. É a religião do Creio, que não fala nem uma só palavra de nós, mas que canta todas as iniciativas de Deus para manifestar-nos seu amor.

Nós somos cristãos, se cremos e se, depois de tantos anos, sabemos que Deus nos ama gratuitamente. Deus é Pai e ser pai é amar primeiro, é ter a iniciativa no amor. Deus nos ama antes que nós o amemos, sem que nós o amemos. Deus não tem necessidade de nossos sacrifícios para amar-nos.

Deus, como todos aqueles que de verdade nos amam, como nossos pais, por exemplo, não nos ama porque nós sejamos dignos de seu amor, mas nos ama por sua bondade, pela generosidade e fidelidade de seu próprio coração.

Deus nos ama com tanto carinho que seguramente conseguirá despertar em nós, algum dia, uma resposta de amor semelhante ao seu. Tal resposta de amor seria, sem dúvida, o fruto mais belo e precioso deste tempo de Quaresma.

Este amor não mudaria o triste assunto de nossos sacrifícios e renúncias na quaresma em um alegre testemunho de nossa gratidão e de nossa generosidade para com Deus?

E aplicado a nós: Não seria esta Quaresma o tempo propício para crescer em santidade e converter-nos mais e mais em homens novos? Parece-me que esta é a grande oportunidade para manifestar à Deus nosso amor fiel e generoso de filhos.

Perguntas para a reflexão
1. Como respondemos ao amor de Deus?
2. São difíceis as renúncias, os sacrifícios por amor a nosso Pai Deus?
3. Sentimo-nos amados por Deus?

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