Todos nós
estamos gravados na palma da mão de Deus. A criança
que ainda não nasceu também está gravada na
mão de Deus desde a concepção e é chamada
por Ele a amar e ser amada,não para ser abortada.
Você, que está lendo este texto, acha que alguém
teria o direito de ter lhe tirado do ventre de sua mãe?
Como denunciava o Papa João Paulo II, hoje, há uma
verdadeira “cultura da morte”. Já não
se fala de embrião, feto ou de uma nova vida e sim do corpo
da mulher e do direito de fazer com ele o que a mulher quiser. Já
não se fala da transmissão da vida, do nascimento
de um novo ser escolhido por Deus. Pratica-se o aborto, muitas vezes
por “liberdade” da mulher que não quer assumir
a “carga” do filho, por egoísmo, por comodidade,
por vergonha, para aliviar a consciência...
A criança é o dom de Deus para a família.
Cada criança é criada à imagem e semelhança
de Deus para grandes coisas, pois faz parte do plano de amor do
Pai Eterno. O quinto mandamento da Lei de Deus fala: “Não
matarás! (Ex 20,13) Esta lei seria só para não
matar os adultos? Por acaso Deus precisaria ter escrito mais claro?
“Não matarás ninguém, nem mesmo as crianças
inocentes que ainda estão no ventre materno”, justamente
onde a criança deveria estar mais protegida.
Direito natural da vida
A inquestionável ilicitude (ato imoral) do aborto está
no dever de respeitar a vida e no direito à vida de todo
o ser humano.
Por isso, não existe para o magistério da Igreja Católica
uma questão difícil e complicada para se tratar e,
sim, uma questão clara de direito natural da vida. No entanto,
é um tema que, pelo menos em muitos países, é
tratado, amplamente, na sociedade, chegando-se fazer consultas populares
para saber o que a população pensa, como se fôssemos
nós os detentores do poder de dizer sim ou não à
vida.
Os argumentos utilizados a favor do aborto, na maioria das vezes,
não são argumentos científicos, porque não
se trata de discussões científicas, mas de intenção
de influenciar a opinião pública.
Entende-se por aborto, a expulsão de um feto do seio materno,
casual ou propositadamente.
O aborto pode ser:
• Espontâneo: quando as causas que
o provocam não dependem em nada da vontade dos homens. É
um ato involuntário, natural, logo, não é ilícito.
• Voluntário: quando é causado
pela intervenção humana de maneira intencional e artificial.
O aborto voluntário pode ser:
a) direto: quando se procura a morte do feto, pela
sua expulsão do seio materno. Ele pode ser:
- provocado como fim: quando o desejo é destruir o feto;
- provocado como meio: para conseguir outro fim, como por exemplo,
a saúde da mãe. Ele é chamado de aborto terapêutico.
b) indireto:
causado como efeito secundário previsto nas não desejado,
partiu de uma ação boa. Ex: para curar a mãe
de alguma doença grave, são administrados medicamentos
necessários que podem ter, como efeito secundário,
a morte do feto mas sem a intenção que isto ocorra.
Princípios morais
É claro que todo aborto direto, mesmo o dito terapêutico,
é ilícito, pecado grave que não se pode justificar,
por ter como objeto direto a morte de um ser vivo.
Por vezes, é mais difícil aceitar a ilicitude do aborto
terapêutico, mas é preciso dizer que o fim bom (salvar
a vida de uma mãe) não justifica o ato mau (a morte
provocada do feto).
Devemos considerar também que o aparente conflito de direitos
(a vida da mãe ou a do filho) se resolve recordando que se
deve preservar a vida dos dois por meios lícitos adequados,
pois quase sempre se pode evitar o aborto terapêutico com
uma adequada assistência pré-natal e com todos os meios
que atualmente dispõe a medicina.
É freqüente, também, que se confunda o aborto
terapêutico com operações cirúrgicas
em que acontece um aborto indireto. Ressalva-se, então, a
importância de distinguir o aborto direto, sempre ilícito,
do aborto indireto, que, com as devidas condições,
é lícito. (veja
mais sobre isso)
O aborto direto, ou seja, qualquer ação diretamente
mortal para o feto vivo é pecado grave. Matar um ser humano
completamente inocente jamais se pode justificar. A Igreja castiga
com a pena da excomunhão, não só a mãe
e o médico, mas qualquer pessoa que colabore num aborto:
anestesista, enfermeira, além da pessoa que incentivou a
decisão da mãe, aconselhando-a ou conseguindo o dinheiro.
As conseqüências da mentalidade a favor do aborto
são inúmeras para a sociedade, pois a vida humana
passa a ser algo que depende da vontade de pessoas que se encontram
em posição vantajosa. Perde-se a noção
que não é o homem que cria a lei moral, ela é
definida pela lei divina e não humana.
O Papa Bento XVI, em sua visita ao Brasil no mês de maio,
disse: “Cuidado com a liberdade individualizada, na concepção
da vida ou na hora da morte”. Ele nos alerta para o conceito
de uma consciência meramente individual que nega a natureza
do ser humano. A liberdade não é fazer o que quer.
A liberdade do homem é dom. Um dom que leva para a realização
completa do ser humano em relação a Deus.
Não somos os donos da vida
A vida humana deve ser respeitada e protegida de maneira absoluta
desde o momento da concepção. “O diagnóstico
pré-natal é moralmente lícito desde que respeite
a vida e a integridade do embrião. Qualquer atitude contrária
que provoque o aborto é crime. Um diagnóstico médico
não pode ser como uma sentença de morte para o feto”
(Catecismo da Igreja Católica nº 2274). “Um diagnóstico
de má formação do cérebro, dos pés,
ou qualquer outro problema não pode ser suficiente para se
dar uma pena de morte para o embrião”. (Gaudium et
spes, 51§3).
Devemos defender o valor sagrado da vida e da pessoa.
Nada justifica o aborto, tampouco um filho malformado. Esta vida
é sempre uma pessoa humana criada por Deus com um fim transcendente
e nós não somos donos desta vida para eliminá-la.
Muitas mães justificam a interrupção da gravidez
alegando já terem muitos filhos. Mas por que, então,
não matam um dos que está crescido e deixam o outro
nascer? O crime é o mesmo.
Qualquer país que aceite o aborto não está
ensinando o seu povo a amar, mas a usar de violência para
conseguir o que se quer. O Brasil está ameaçado
com um Projeto de Lei (nº 1135/91), desarquivado no dia 3 de
abril deste ano, que legaliza o aborto, permitindo a interrupção
da gravidez durante os nove meses.
Para obter a liberação do aborto no país, afrontando
a Deus, ao Santo Padre e ao desejo da esmagadora maioria dos brasileiros,
o presidente Lula e seu Ministro da Saúde José Gomes
Temporão, dizem e repetem que “o aborto é um
problema de saúde pública”. O argumento de que
se está protegendo a saúde das mulheres, evitando
assim mortes provocadas por abortos clandestinos não convence.
Ele faz parte do discurso daqueles que não valorizam a vida
e sim a jogam no lixo, como se fosse algo descartável.
Várias manifestações estão acontecendo
em todo o país contra esta onda abortista que invadiu o Brasil.
Por sermos o maior país católico do mundo, devemos
dar o exemplo de ter uma posição totalmente contrária
ao aborto. Programas de orientação ao planejamento
familiar natural, atendimento às gestantes carentes e apoio
psicológico a mulheres que sofreram estupro, entre outras
medidas, são soluções viáveis que podem
livrar a população da ameaça do aborto.
Muitas pessoas preocupam-se com as crianças da África
ou da Índia que morrem de fome. Mas freqüentemente estas
mesmas pessoas não estão preocupadas com os milhões
que estão sendo mortos pela decisão de suas próprias
mães. E mais: temos leis que proíbem a destruição
de ovos de tartaruga, por exemplo. Isto é crime. Como, então,
aceitar a idéia de que a vida de inocentes crianças,
que não têm voz para protestar, seja descartada com
apoio do governo e consentimento das leis?
A Aliança de Amor nos encoraja
Na força da Aliança de Amor, não sejamos cristãos
mornos, tenhamos coragem de defender nossa posição
contra o aborto em qualquer ambiente, em qualquer circunstância.
Não nos sintamos intimidados por posições contrárias
aos nossos valores cristãos. Não neguemos nossa fé
e não nos deixemos convencer por idéias abortistas
que parecem dar liberdade ao ser humano mas que, na verdade, tiram
o que existe de mais sagrado: a filialidade divina e o direito à
vida concedida por Deus.
A Aliança que selamos com a Mãe de Deus, no Santuário
de Schoenstatt, leva-nos a ser instrumentos a favor da vida,
defendendo-a sempre que pudermos. Se precisarmos convencer alguém
a não cometer um aborto, se precisarmos defender nossa posição
contra a interrupção da vida no ambiente de trabalho,
na faculdade, com parentes que não compartilham nossa fé,
sabemos que podemos contar com a graça do alto, com a luz
e orientação do Espírito Santo e com a proteção
da maior de todas as mães, do maior exemplo de maternidade,
do Tabernáculo vivo que abrigou o Filho de Deus: Maria.
Que Ela seja o auxílio de todas as mães, em qualquer
momento de dúvida, de medo, de intimidação
ou de posição contrária ao aborto. O não
ao aborto é um dever de toda mãe e um direito de todo
filho.
“Deus,
o Senhor da vida, confiou ao homem o nobre encargo de preservá-la.Um
encargo para ser exercido de maneira condigna com sua condição
humana. Por isso, a vida deve ser protegida com o máximo
cuidado desde a concepção. O aborto é crime
nefasto!” (Gaudium et spes, 51§3)